Olá,


Meu nome é Rômulo e este espaço será usado para colocar materiais e textos que usarei para construir meu livro. Este livro trata da cultura cristã de origem africana, originada no antigo reino do Kongo, e outros assuntos conectados ou conectáveis a essa cultura negra existente nas Américas.

Essa construção será resultado dos exercícios, praticas e adaptações dos ensinos do professor Lei Gomes nas suas aulas de Mandombe. Pedi autorização ao professor para responder às suas indagações no contexto da fala de um brasileiro, o qual deseja construir um forte senso de origem e cultura para necessários para ensinar aos próprios filhos que - peço a Deus - um dia me conceda ter. Na verdade, todas as minhas pesquisas nesses vários anos acabaram por resultar nesse encontro com o professor, que espero ser de benefício mútuo.

Eventualmente, após a publicação do livro, penso em criar ferramentas didáticas online direcionadas ao ensino e aprendizado tanto do Mandombe, como também de uma ou duas línguas africanas que sobreviveram no Brasil. Me refiro aqui ao Kimbundu e, talvez, ao Kikongo - que permaneceu no sentido de existir elementos fundidas ao kimbundu sobrevivente no Brasil (que, se formos rigorosos na definição dos termos, sobreviveu de forma fragmentária e não como língua de fato).

Seria muito interessante ver jogos de celular e online, bem como ferramentas didáticas de vários assuntos que utilizam alfabetos de origem negra e que sejam culturalmente relevantes para os afros espalhados pela diáspora. Aqui me refiro ao mandombe, ao nsibidi (com seus diferentes nomes nos países caribenhos e latinos, em que sobreviveram parcialmente) e ao alfabeto Afaka - criado no Suriname, em um kilombo, com inspiração básica no nsibidi (apesar de ser uma escrita revelada, assim como o mandombe).

Agradeço ao meu professor Lei Gomes por ter iniciado seus ensinamentos - via whatsapp - e ter permitido que meu livro seja inspirado pela sua estrutura de aulas e propostas de reflexões - as quais tive a liberdade, dada pelo professor, de responder conforme tudo o que já estudei e com direcionamento para os povos deste lado do Atlântico, de todas as cores de pele, que sejam ou que se considerem como negros. Trato aqui a palavra "negros" não apenas no sentido da cor de pele, mas por identificação individual e por história familiar, independente da cor de pele que a pessoa tenha. Conheço brancos nascidos de negros (inclusive dos que tem a cor mais preta), e de negros nascidos de brancos (como é o meu caso, onde minha mãe é de origem branca européia e indígena (principalmente estes dois, com africanos pontualmente), e meu pai é negro de ascendência africana e européia (principalmente estes dois, com indígenas pontualmente).

Busquei por mais de três anos acesso a alguém que pudesse me ensinar o Mandombe. E, quando já desistia e me preparava para trabalhar com a escrita nsibidi da África (a partir dos símbolos que restaram entre nós, no Brasil, com o nome de traço-riscado) para aperfeiçoar a escrita Afaka (escrita ainda incompleta e em extinção, com cerca de 20 pessoas que a dominam, pelo que descobri), encontrei o professor Lei Gomes. Apesar de manter o projeto que estava iniciando, posso voltar a priorizar o aprendizado do mandombe.

Ressalto que tanto o Afaka como o Mandombe tem raízes em cristãos negros, enquanto o nsibidi (com suas derivações diretas em Cuba, Jamaica e Brasil, dentre outros) passou a ser usado nas Américas como parte dos cultos politeístas e em rituais de sangue - como se fosse uma escrita mágica. Contudo, em seu contexto original, o nsibidi era uma forma de comunicação usada entre membros de grupos secretos africanos, equivalentes às confrarias européias, bem como na forma de arte decorativa (nesse caso, há descobertas arqueológicas do uso dos símbolos nsibidi desde o ano 400d.C). Por este motivo, me sinto bastante confortável em abordá-la no contexto da cultura negra cristã, da mesma forma que faço com as outras duas escritas - que foram revelações espirituais dadas a cristãos de fato.

Cristãos de fato são diferentes dos muitos hipócritas de hoje, que se dizem cristãos mas apenas atrapalham quem busca uma vida de santidade, idolatrando os desejos desenfreados por sexo e dinheiro enquanto convencem a todos que isso é amor, usando complexas interpretações teológicas. Ressalto isso porque sei que falsos cristãos e pessoas que abertamente detestam os cristãos irão usar tanto o mandombe como o afaka como se não tivessem a origem que tem, missões e revelações espirituais dadas a cristãos. No caso do Mandombe, foi dada a revelação diretamente ao seu autor, como inspiração e fonte divina em seu início, acompanhado por um caminho de muito trabalho. Já no caso do Afaka, ele foi dada através de um ser espiritual (um anjo, como acontece nas histórias bíblicas, na medida de dois símbolos silábicos por dia) sem orientações complementares.

Quando o professor me respondeu e pode começar as aulas (que foi tentativa final de chegar ao mandombe, pois já havia tentado outras instituições e pessoas africanas), fiquei muito feliz - e surpreso, pois já haviam se passado meses desde aquele email inicial. Ele se ofereceu para realizar essa tarefa de ensinar o Mandombe no processo de ensino de uma língua africana - a qual poderia ser o kimbundu (língua africana que manteve algumas palavras e expressões nos cultos afro-brasileiros) e pelo kikongo (a qual está incorporada no pouco de kimbundu que foi mantido por aqui).

Acredito que se eu for bem sucedido em aprender aquilo que o professor Lei Gomes se dispôs a ensinar, poderei preparar ferramentas de ensino do kimbundo num contexto da cultura cristã negra. Atualmente, o ensino dessa língua só é possível através do aprendizado e envolvimento com o Candomblé - sendo causa do desestímulo para que outros públicos a aprendam e usem. E mesmo nesse caso, os materiais que eles dispõem são insuficientes para usos cotidianos, de caráter não-ritualísticos. Tais ferramentas de ensino, conforme as penso hoje, envolvem o you tube e aplicativos inspirados no duolingo e outros parecidos (pois sou programador e posso me voluntariar para isso, já que contratar equipes e empresas torna completamente inviável esse tipo de projeto) - além de livros voltados para o público brasileiro (traduzidos também para o espanhol, em um segundo momento).


Gratidão a Deus por tudo.

Rômulo

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